terça-feira, 30 de setembro de 2014

[Opinião] "A Filha do Barão", de Célia Correia Loureiro

Sinopse: Quando D. João tece a união da sua única filha, Mariana de Albuquerque, com o seu melhor amigo - um inglês que investiga o potencial comercial do vinho do Porto -, não prevê a espiral de desenganos e provações que causará a todos. Mariana tem catorze anos e Daniel Turner vive atormentado pela sua responsabilidade para com a amante. Como se não bastasse, o exército francês está ao virar da esquina, pronto a tomar o Porto e, a partir daí, todo o país. No seu retiro nos socalcos do Douro, Mariana recomeça uma vida de alegrias e liberdade até que um soldado francês, um jovem arrastado para um conflito que desdenha, lhe bate à porta em busca de asilo. Daniel está longe, a combater os franceses, e Gustave está logo ali, com os seus ideais de igualdade e o seu afecto incorruptível, disposto a mostrar-lhe que a vida é mais do que um leque de obrigações.





Opinião:
Já li este livro há bastante tempo e, por isso, a sua história está um pouco esbatida. Mas lembro-me bem das emoções que senti ao ler o livro.

O inicio foi um pouco tremido. Foi complicado introduzir-me na história. Mas à medida que as páginas iam passando eu ia ficando cada vez mais agarrada e ansiosa pelo final. Aquele final. Que desilução... Será que vai haver continuação? Espero bem que sim! 

Mariana é uma criança. Não há outra palavra para a descrever. É uma criança nas atitudes, naquilo que pensa e na forma como age. Por isso é que foi tão prazeroso vê-la a crescer. A desenvolver uma coragem própria e também ideias. A apaixonar-se pelo querido Daniel. A defender a sua casa das invasões e também a ter dúvidas justificadas.

Nunca tinha lido um livro que se centra-se nas invasões napoleónicas vistas da primeira pessoa e houve certos momentos em que me senti enojada por certas atitudes dos portugueses, principalmente no que diz respeito a Gustave.

Célia Correia Loureiro está a abrir caminho para ser uma das melhores escritoras portuguesas nesta época. Se já não o é.

Adorei e recomendo.

Ps:. Espero ansiosamente pelo 2º volume.

[Opinião] "A Rapariga Inglesa", de Daniel Silva

Sinopse:

Madeline Hart é uma estrela ascendente no partido britânico no poder: bonita, inteligente, motivada para o sucesso por uma infância pobre. Mas Madeleine tem também um segredo sombrio: é amante do primeiro-ministro, Jonathan Lancaster. Os seus raptores descobriram o romance e decidiram que Lancaster deve pagar pelos seus pecados. Receoso de um escândalo que lhe destrua a carreira, ele decide lidar com o caso em privado, sem o envolvimento da polícia britânica. Trata-se de uma decisão arriscada, não só para si próprio, como para o agente que conduzirá as buscas.
Tens sete dias, depois a rapariga morre. Entra em cena Gabriel Allon — assassino implacável, restaurador de arte e espião —, para quem as missões perigosas e a intriga política não são novidade. Com o relógio a contar, Gabriel tenta desesperadamente trazer Madeleine de volta a casa em segurança. A sua missão leva-o do mundo criminoso de Marselha a um vale isolado nas montanhas da Provença, depois aos bastidores do poder londrino e, finalmente, a um clímax em Moscovo, uma cidade de espiões e violência, onde há uma longa lista de homens que desejam ver Gabriel morto.
Desde as páginas de abertura até ao chocante final, em que se revelam os verdadeiros motivos por detrás do desaparecimento de Madeleine, A Rapariga Inglesa irá deixar os leitores completamente mergulhados na história.

Opinião:
Este é o 1º livro que leio de Daniel Silva e, pelo que me parece, isso é um erro.

Quando Madeline Hart desaparece, Gabriel Allon é contratado para a tentar encontrar. Mas o que vai descobrir irá abalar com a sociedade inglesa.

Este livro tem um ritmo alucinante. Não há momentos mortos. É só acção, acção e acção. E isto é um ponto positivo.

A história tem muitas reviravoltas. Reviravoltas em que nós, comuns mortais, não pensaríamos.

Gostei da forma como está escrito. É uma leitura viciante.

Vou continuar a seguir o Daniel Silva. É uma boa aposta.

[Opinião] "Seres Mágicos em Portugal", de Vanessa Fidalgo

Sinopse: 
Dona Adelina conta-nos a história do lobisomem que na freguesia da Bemposta corria ruas pela noite fora estragando o pão que cozia de madrugada nos fornos e assustando os mais novos e indefesos. Na ilha do Pico, Açores, o dia 2 de fevereiro de cada ano era dia para ficar em casa. Homens, mulheres e crianças trancavam-se a sete chaves e protegiam-se comendo alhos. Lá fora os labregos, uma espécie de duendes, saíam das águas salgadas do mar para nos próximos meses viverem escondidos nos matos verdejantes da ilha. Nas serras de Arruda dos Vinhos é bem conhecida a história de um gigante terrível, que, de tão grande e violento, aterrorizava as povoações da região. Em Santa Maria, nos Açores, o povo garante que as jovens de cabelo vermelho que ainda hoje por lá moram são descendentes de uma jovem e bela sereia que caiu de amores nos braços do filho de um pescador. Fadas, duendes, gigantes, olharapos, lobisomens, trasgos, sereias entre outras, são algumas das criaturas mágicas que habitam o nosso país, o nosso imaginário e que vai conhecer ao longo das páginas deste livro. Depois dos seus anteriores livros Histórias de um Portugal Assombrado e 101 Lugares para Ter Medo em Portugal, a jornalista Vanessa Fidalgo percorreu o país, de lés-a-lés, visitou bibliotecas locais à descoberta de histórias, ouviu relatos e entrevistou dezenas de pessoas para resgatar a nossa rica tradição oral. O resultado é este original livro onde a imaginação e o fantástico ganham protagonismo, numa história que não consta nos manuais escolares, mas que faz parte do nosso país e das nossas tradições.


Opinião:
Um livro que nos remete para a nossa infância de histórias maravilhosas sobre fadas, duendes, lobisomens e outros que tal.
É um livro que encanta pelas histórias encerradas neste nosso Portugal que tem tanto de moderno como de misterioso. Histórias que nos fazem sorrir e também arrepiar.

Gostei.

[Opinião] "Perdoa-me", de Lesley Pearse

Sinopse: A vida pode mudar num segundo.
O instante em que encontrou a mãe sem vida nunca se extinguirá da memória de Eva Patterson. Num bilhete, as suas últimas e enigmáticas palavras: Perdoa-me.
O mundo seguro de Eva ruiu naquele momento devastador. Mas o inesperado suicídio de Flora vai marcar apenas o início de uma sucessão de acontecimentos surpreendentes. No seu testamento, Flora deixa a Eva um estúdio em Londres. Este sítio é a primeira pista para o passado secreto de uma mulher que, Eva percebe agora, lhe é totalmente desconhecida.
No sótão do estúdio, a jovem encontra os diários e os quadros da mãe, provas de uma fulgurante carreira artística mantida em segredo. O que levou Flora a esconder tão fundo o seu passado? Ao aproximar-se da verdade, Eva descobre um crime tão chocante que a leva a questionar-se se alguma vez conseguirá, de facto, perdoar.



Opinião:
Lesley Pearse é qualquer coisa de magnifico! Tudo o que ela constrói - desde as personagens, o enredo, os conflitos, os crimes - é feito para nos chocar e fazer pensar. E este livro é uma boa prova disso.

Eva Patterson tem tudo o que se pode desejar. Uma família feliz, dinheiro e uma carreira. Até ao dia em que encontra a mãe morta na banheira. Esse é o dia que irá desencadear todas as desgraças e revelações pelas quais ela vai passar.

Eva é uma personagem forte e bem construída. Tem todo o ar de mulher frágil e carente, mas ela não é nada disso. Ele é independente, forte e corajosa. Vai fazer tudo o que está ao seu alcance para descobrir a verdade por detrás do seu nascimento e das mentiras que lhe foram contadas ao longo da vida.

Um livro muito bem escrito (como já é hábito de Lesley Pearse) e que nos prende até ao último segundo. É impossível largar.

Recomendo.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

[Opinião] "Do Holocausto à Salvação", de Bernard Wasserstein

Sinopse: A história da mulher que, a partir de Lisboa, ajudou milhares de judeus a fugir à morte certa.
Em maio de 1941, Gertrude van Tijn chegou a Lisboa vinda de uma Amesterdão ocupada pelos nazis. Vinha com a missão de negociar o refúgio de milhares de judeus, alemães e holandeses, com a permissão das autoridades nazis. Mas seria esta mulher de meia-idade, carregando tamanha responsabilidade, capaz de desempenhar eficazmente a sua missão, estando conotada com os ocupantes? Teria sido ela um mero peão manobrado pelos nazis, ou a sagaz heroína que pactuou com o inimigo para melhor poder defender o seu povo?
Bernard Wasserstein, um dos maiores especialistas mundiais em História do Século XX, relata a odisseia desta judia alemã com nacionalidade holandesa que contribuiu, apesar da ambiguidade das suas virtudes, para o salvamento de milhares de pessoas. Através dela, o autor conduz o leitor até aos sombrios tempos de guerra na Europa, expondo os dolorosos dilemas com que os judeus se confrontaram sob a ocupação nazi. O resultado é um fascinante documento, em que Portugal e a cidade de Lisboa desempenham um papel decisivo.


Opinião:
Se estão à procura de um romance passado na 2ª Guerra Mundial podem largar este livro e procurar outro. Isto não é um romance, mas sim a biografia de uma das mulheres que mais ajudam os refugiados judeus. 

Tenho de admitir: nunca li uma biografia. E acreditem que custou. Muito. Mas o esforço foi recompensando. Este é um grande livro. Um livro que choca, mas que também comove por mostrar a força que é preciso ter para enfrentar uma ocupação nazi e mesmo assim ainda ajudar os judeus a fugir.

É um livro que irá ficar para a memória.

Recomendo.