terça-feira, 3 de dezembro de 2013

[Opinião] "Padeira de Aljubarrota", de Maria João Lopo de Carvalho

Sinopse: Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha-infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo.











Opinião:
Existem livros que nos enchem as medidas. E isso acontece porque são extremamente bem escritos. Este é um deles.
Maria João Lopo de Carvalho conseguiu tornar a famosa Brites de Almeida (mais conhecida como Padeira de Aljubarrota) numa personagem real. Poucas são as pessoas que se atrevem a escrever sobre ela mas Maria João atreveu-se e eu agradeço-lhe por isso.
Em "Padeira de Aljubarrota" conhecemos Brites de Almeida - nascida num dia e num ano que todas as pessoas consideraram como o ano do Diabo. E a própria Brites parece um demónio! Seis dedos em cada mão, pés do tamanho de uma pá, pouco abonada no que toca à beleza. Mas isto tudo é esquecido quando nos lembramos da sua imensa coragem durante um dos tempos mais conturbados do reino de Portugal e do Algarve. 
Neste maravilhoso livro, a narrativa é partilhada por Brites de Almeida e D. Beatriz (filha de D. Fernando e D. Leonor Teles). Gostei muito da forma como o livro está estruturado, porque nos dá duas perspectivas totalmente diferentes. 
Este livro foi uma mais valia para alterar a opinião que eu tinha sobre D. Beatriz. Em quase todos os sítios em que esta rainha-menina é citada temos a percepção de que ela é uma pessoa sem carácter (um pau mandado, vá) que sempre seguiu as ordens de sua fria mãe. Mas neste livro vemos que ela não passava de uma criança que passam de noivado em noivado sem que tivesse uma palavra a dizer. Vemos que tinha personalidade, que era uma rebelde. Gostei muito desta Beatriz. No que diz respeito a Brites de Almeida, também fiquei com uma boa opinião. Uma mulher corajosa que, durante toda a sua vida, foi rejeitada pelas pessoas mas, que mesmo assim, se tornou forte e determinada.
Como já disse este livro ficou-me na memória. E é muito complicado opinar sobre ele, porque ficará sempre algo por dizer. Provavelmente um dos melhores livros que li na minha vida inteira (e já li muitos). Dá para perceber também que existiu uma enorme pesquisa por trás desta história e tenho de dar os parabéns a escrita por isso.
Obrigada por este livro, Maria João Lopo.
Recomendo.

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